domingo, 11 de setembro de 2011

Da competição à paisana

Não é recente a tendência humana para a competição. Pode até ser algo imemorial, registrado em forma de pintura rupestre nas paredes da natureza dos homens. Curiosos, no entanto, são os avatares que essa sina toma nesses tempos de incertezas e de falsas seguranças.
Por mais que se afirme (e se comprove) que a vida profissional tornou-se um território praticamente bélico, parece que a competição dá-se ainda mais ferozmente na vida privada. Digo, na comparação que cada pessoa faz da sua vida privada com a de outra. A referida competição manifesta-se ainda mais em alguns curiosos traços do foro íntimo das pessoas, os quais aparentemente serviam como refúgio das constantes batalhas do “mundo corporativo”.
Os indivíduos começaram a se vangloriar por serem melhores pais e filhos do que seus vizinhos. Por terem suas casas mais limpas do que seus parentes menos abastados. Por saberem se comunicar mais e “melhor” do que seus semelhantes que não dispõem de tanto tempo livre para o exercício da oratória. Por terem visto mais filmes aclamados e assistido os mais recentes episódios dos mais recentes seriados. Por possuírem a mais sensata explicação para os mais diversos fenômenos (inclusive sobre o próprio competir). E competem até mesmo para ver quem supostamente se divertiu mais no último feriado. No entanto, usam em todas essas medições apenas critérios previamente aceitos, os quais não parecem dar conta sequer de socorrê-los quando não conseguem vencer a competição.
É claro que há certo exagero nisso. Essas e outras práticas da vida particular podem ser realizadas por puro prazer individual ou por consciência de sua necessidade em serem praticadas. Ou podem ainda ser apenas um lastro que a vida em sociedade impõe para as atitudes pessoais. De qualquer forma, assusta que por vezes todos façam tais coisas não by themselves, mas para elevar-se em relação ao outro ou, em termos mais publicitários, para chegar de modo mais direto ao “sentir-se bem consigo mesmo”.

Guilherme Bruniera

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